segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Lost for words

Ainda não parei de contar os dias
Em forma de cilício
Ainda não parei de sofrer em léxico
Que não encontro para escrever
Ainda não sei como apaziguar
A insanidade que me estuprou
Mas já se desenvencilharam
Novas formas de doer
Ainda te procuro
Na estação de autocarros
Ainda não consegui
Apagar o teu número
Ainda espero
A mensagem que nunca me
Mandarás
Ainda espero
Não me estar a desmoronar
Por todas as vezes
Que não estarás
Que não falarás
Que não serás
Ainda espero
Pelos conselhos
Que não me darás
Ainda espero
Por uma vida que não terei
Então, acho que é isso
O encontro com o absurdo
O ficar num passado
Sem referência
Num presente irreal
Com um futuro
Impossível
Gostava tanto de te conseguir dizer Adeus
Sem que isso soasse a
Superficialidade

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Amálgama

Estou desesperada com esta indefinição.
Não sei o que fazer com a minha vida.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Amorfia

Dói-me não saber mais como dizer que dói.



Será que já sou só mais um robot da sociedade? Ou sempre fui. 


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Ilimites

A minha mãe foi a mulher mais feminista que alguma vez conheci.
Não é que haja uma métrica.
Mas foi.
Não por beber a história. Mas por caminhá-la.
Talvez diga isto porque também nunca conheci mulher alguma mais forte que ela. Mais insubordinada. Mais ilimitada.
Ainda ressoa na minha cabeça a sua fumadora e mais fragilizada voz, acerca de uns mini calções que usei para ir vê-la ao lar:
- Esses calções'zinhos, bem...bem...
- Oh, mãe,...
- Sim, sabes que nunca te impus limites.

Devo-lhe a ela toda a sofreguidão de liberdade que tenho.



A ti, mãe, à maior feminista que veste o meu coração de luta diária.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ego

No mais sincero desabafo devia ter-te dito:
 Não morras, mãe, que eu não consigo aguentar isto sem ti. 

E era a mais nua das verdades. Mas não seria sobre ti.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A tristeza é nostalgia de dizer adeus

Normalmente escrevo sobre amor quando estou bêbeda
Normalmente escrevo sobre dor quando qualquer tipo de estado, humanamente conseguível, é insuportável.
O amor é veres-me este esqueleto, trinca-espinhas, amarelamente insalubre, decrépito regurgitado e, ainda assim, verteres a dormência apaixonada de quem tem todas as horas cósmicas para perder e todo o mundo para vencer.
Dizer de plateia cheia: Amo-te.